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La vie en Rosé

Depois de deter o status de bebida da moda nos anos 70 e se tornar o patinho feio das adegas brasileiras nas últimas décadas, o vinho rosé vem reconquistando espaço no mercado nacional. A tendência de alta dos rosados, na verdade, tem alcance mundial: segundo um estudo de 2008 feito pela Wine and Spirit Trade Association (WSTA) com consumidores regulares de vinho, o número de bebedores de rosé cresceu 60% nos últimos três anos. O levantamento revela, ainda, que seis em cada dez consumidores de vinho bebem rosé, ao passo que esse número era de quatro em dez em 2005.
Além da bela cor, que varia do alaranjado ao púrpura, esse vinho se destaca pelo caráter aromático, fresco, o sabor delicado de frutas vermelhas e, algumas vezes, de flores. As principais uvas utilizadas na composição desse fermentado são a Cabernet Sauvignon, a Merlot, a Grenache, a Pinot Noir e a Chardonnay, mas há também bons rótulos que utilizam uvas variadas na sua composição. Apesar da fama de vinho “de mulherzinha” ou “de quem não sabe beber”, o rosé é uma opção sob medida para as altas temperaturas e a atmosfera descontraída das terras tupiniquins. Não obstante, é versátil na mesa: harmoniza bem com peixes, aves, carnes vermelhas, massas e comida japonesa, valorizando pratos delicados e de média intensidade.

Pioneirismo rosa
O fato de o rosé ser hoje pouco conhecido não significa que ele seja uma novidade no universo de Baco, pelo contrário. Indícios apontam o rose como o primeiro vinho da história, tendo sido produzido e consumido pelos fenícios e egípcios. A tese leva em conta, por exemplo, informações sobre a técnica de vinificação utilizada na época, transmitidas por meio de ilustrações encontradas nas paredes das tumbas do Antigo Egito. Além disso, historiadores acreditam que até o século XVIII, 90% da produção de vinhos utilizando uvas escuras consistia de rosés.
De todo modo, já no século XIII, a Provence, no Sul da França, ganhou fama mundial ao produzir, por ordem do Duque da Borgonha, os rosés que seriam destinados às taças do rei da França e do Papa. Assim, enquanto naquela época os rosados eram destinados à realeza, os tintos, tão cultuados pelos enófilos de hoje, eram relegados às classes menos favorecidas, ao passo que a produção de vinho branco praticamente inexistia. De lá para cá muito vinho já rolou, mas a França é hoje o maior produtor mundial de rosés, que respondem por 70% da produção da região da Provence (destes, 90% são consumidos na própria terra de Balzac).
Existem três métodos possíveis para a produção dos rosados: a sangria utiliza o suco oriundo das primeiras etapas da elaboração do vinho tinto; a maceração lança consiste em prensar a uva escura apenas o suficiente para dar a coloração desejada ao mosto, ao passo que as etapas seguintes são as mesmas empregadas no vinho branco; e o polêmico método que prevê a mistura de tintos e brancos para a elaboração do delicado vinho. O método de mistura esteve perto de ser encampado pela legislação européia este ano, provocando a ira dos viticultores franceses, que saíram em defesa dos métodos tradicionais. Passado o susto, a França desfruta – aliviada - o bom momento dos rosados no mercado mundial. Aos interessados em preparar a adega para o verão, minhas sugestões de rosés nota 10 são o Terras de Penalva Regional Beiras (R$ 25,00), da portuguesa FTP, e o chileno Santa Digna (R$ 37,00), da Miguel Torres.

http://peqprazeres.blogspot.com/2009/10/la-vie-en-rose.html

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9
Out
2009